Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

O vencedor do Prémio Fernão Mendes Pinto 2013 é Odair Bartolomeu Barros Lopes Varela, com a tese “Mestiçagem Jurídica? O Estado e a Participação Local na Justiça em Cabo Verde: uma análise pós-colonial”, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

A análise pós-colonial do papel do Estado cabo-verdiano no que tange à participação local na justiça implicou, mediante a utilização de ferramentas epistemológicas conferidas pelos Estudos Pós-coloniais, uma contextualização sócio-histórica crítica da especificidade do Estado moderno nesse país a partir da intercessão colonial portuguesa visando expor as continuidades ou presenças, as rupturas, (des)continuidades ou transformações das características político-jurídicas coloniais no período após a independência. Para além do aprofundamento do carácter inter-transdisciplinar e transdisciplinar da pesquisa – o que permitiu a navegação, de forma enriquecedora, por campos disciplinares como os de Ciência Política, Relações Internacionais, História, Antropologia ou Estudos Literários –, a feição in-disciplinar do campo dos Estudos Póscoloniais faculta, por outro lado, pôr em causa a própria configuração disciplinar eurocêntrica e colonial presente na Ciência Moderna a qual, evidentemente, nem esse campo consegue escapar dado que, por exemplo, o seu actual paradigma epistemológico não reconhece, ou deixa praticamente de fora, o potencial de contribuição e enriquecimento que os saberes ou conhecimentos produzidos no Sul Global podem trazer para o seu «cânone».

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Publicação da tese vencedora

A tese “Mestiçagem Jurídica? O Estado e a Participação Local na Justiça em Cabo Verde: uma análise pós-colonial”, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, foi publicada pelo Camões I.P., conforme regulamento.

Tendo sido o primeiro investigador africano de entre as Universidades e Institutos Superiores que integram a Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) a ser laureado com o Prémio Fernão Mendes Pinto, considero que esta distinção se traduz no reconhecimento da existência de investigação e de investigadores de qualidade nos países e nas Universidades africanas parceiras da AULP e testemunha o crescimento e consolidação das mesmas ao longo dos anos. Ao instituir o maior prémio de investigação no espaço de língua oficial de portuguesa nas áreas das Ciências Humanas e Sociais a AULP contribui para o aumento da produção e valorização dos diversos saberes e conhecimentos que existem no referido espaço como também para o enfrentamento dos desafios provocados pelas persistentes continuidades coloniais e derivados dos atuais processos de globalização. Este galardão contribuiu significativamente para diversificação e avigoramento do meu percurso enquanto investigador não no só na área de língua portuguesa, mas também em outros espaços geopolíticos, procurando desempenhar o que denomino de diplomacia da ciência e do conhecimento em prol do Sul Global.

Odair Barros-Varela

 

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2012)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2012)

O vencedor do Prémio Fernão Mendes Pinto 2012 é Pedro Manuel Rodrigues da Silva Madeira Góis, com a tese “A Construção secular de uma identidade étnica transnacional: a cabo-verdianidade”, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Procuramos demonstrar que a “identidade étnica transnacional cabo-verdiana” vem sendo construída continuamente ao longo dos últimos séculos enquanto fenómeno social e sociológico. Existe não porque exista (apenas) uma crença que supõe a sua existência mas por que há acções, interacções e relações sociais que, analisadas longitudinalmente, comprovam a sua existência. Referimos exemplos diversos desta actividade nos EUA, em Portugal, em Cabo Verde ou na Argentina. Defendemos que não existe [não poderia nunca existir] uma (única) identidade étnica cabo-verdiana geral, mas que, ao contrário, estamos em presença de uma (re)construção étnica múltipla e, portanto diferente em cada um dos países onde existem comunidades imigradas (e no arquipélago de Cabo Verde), resultante, por um lado, do confronto com os “outros” diferenciadores e, numa outra vertente, dos contextos e conjunturas em que ocorre essa interacção. Concluímos defendendo que a “etnicidade” é contextual e que através do exemplo cabo-verdiano ela é um dos alicerces das modernas formas de “identidade étnica transnacional”.

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Publicação da tese vencedora

A tese “A Construção secular de uma identidade étnica transnacional: a cabo-verdianidade”, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, foi publicada pelo Camões I.P., conforme regulamento.

Quando em março de 2014 recebi a notícia de que tinha ganho o Prémio Fernão Mendes Pinto de 2012 senti um misto de alegria e alívio. Alegria porque se trata de um Prémio importante, com o nome de um compatriota que viajou pelo mundo quando o mundo era ainda um espaço cheio de vazios. Alívio porque a possibilidade de publicar o trabalho que dera origem ao prémio, uma tese de doutoramento sobre a identidade étnica cabo-verdiana, tornava o trabalho de investigação disponível para futuros leitores. O prestígio associado ao prémio vem crescendo ano após ano e é para mim um orgulho ter sido um dos laureados.

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2011)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2011)

O Conselho de Administração da AULP decidiu galardoar a tese de Cármen Liliana Ferreira Maciel, intitulada “A Construção da Comunidade Lusófona a partir do Antigo Centro – Micro-Comunidades e Práticas da Lusofonia)”, da Universidade Nova de Lisboa – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.

Na dissertação “A Construção da Comunidade Lusófona a partir do Antigo Centro. Micro-Comunidades e Práticas da Lusofonia”, Cármen Maciel procurou revelar quais as dinâmicas simbólicas – por exemplo, políticas, institucionais e culturais – que contribuem para a conceptualização da “comunidade lusófona”.

Tendo por base a história desde o século XV até à atualidade pós-colonial da sociedade portuguesa, a discente procurou espelhar as “práticas da lusofonia”, e verificou que estas se dão sobretudo na esfera cultural.

Em conclusão, apontou que a “comunidade lusófona” – que tem por rosto formal a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (1996) – encontra-se em permanente construção, expressando-se quer em iniciativas informais, quer em trasações comerciais, atividades socioculturais e ações político-institucionais.

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Publicação da tese vencedora

A tese de doutoramento “A construção da comunidade lusófona  a partir do antigo centro. Micro-comunidades e práticas da lusofonia”, de Cármen Maciel, vencedora da 4ª edição do Prémio Fernão Mendes Pinto, foi editada pelo Camões, IP.

O presente trabalho tem por objectivo discutir a construção da comunidade lusófona a partir do antigo centro português. Escrutinando os rumos da história desde o século XV até à actualidade pós-colonial da sociedade portuguesa, pretende-se traçar o enquadramento histórico que terá estado na base de concepção e idealização de tal comunidade.

Pretende-se ainda acompanhar as dinâmicas simbólicas, mas também políticas, institucionais e culturais do projecto de comunidade que, a 17 de Julho de 1996, adquire um rosto formal através da constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em simultâneo com a análise das iniciativas realizadas ‘de cima para baixo’, presta-se particular atenção à actuação dos agentes ao nível micro, focalizando a atenção na exploração das práticas da lusofonia que se dão sobretudo na esfera cultural.

Defende-se, neste trabalho, que comunidade lusófona é um colectivo em formação e que, apesar da forte conotação ideológica, que a situa ao nível do resgate de um passado agora reinventado à luz do ‘encontro de culturas’, esta é uma realidade prática que vemos funcionar em expressões diversas, quer em iniciativas informais, quer em transacções comerciais ou em actividades socioculturais – para além das acções político-institucionais.

O Prémio Fernão Mendes Pinto compreende um valor pecuniário atribuído numa parceria conjunta entre a AULP e a Comunidade de Países Língua Portuguesa (CPLP), bem como a edição da tese, a realizar pelo Camões, IP.

Quando tive conhecimento do Prémio Fernão Mendes Pinto, da AULP, estava a terminar de escrever a minha dissertação de Doutoramento sobre o tema da construção da Lusofonia através de microcomunidades e práticas do quotidiano. De imediato, pesquisei o regulamento, e apercebi-me que o trabalho se enquadraria no âmbito do mesmo e que poderia ser um contributo para a área de estudos em questão. Após a apresentação e defesa pública da dissertação, em outubro de 2010, e por considerar que se tratava de um Prémio prestigiado no contexto internacional, decidi enviar o documento e concorrer. Tive a felicidade de vencer a 4ª edição, no ano de 2011, e de ver posteriormente o trabalho publicado pelo Camões I.P.

Com a divulgação da atribuição do prémio, surgiram vários convites para apresentações públicas do trabalho de doutoramento, no país e no estrangeiro – o que, considero, foi uma mais-valia para o meu percurso académico e profissional.

Recordo com gratidão e apreço a viagem a Macau, onde decorreu a cerimónia pública de entrega do Prémio. A equipa da AULP foi extraordinária e o momento foi marcante para mim.

Agradeço à AULP, à CPLP e ao Camões I.P. a oportunidade que me foi concedida e desejo que mais jovens investigadores possam ter a experiência de participar em iniciativas como o Prémio Fernão Mendes Pinto, na medida em que poderão ver projetado o seu trabalho e reconhecido o seu percurso de investigação.

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2013)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2010)

Prémio Fernão Mendes Pinto (Edição 2010)

O Conselho de Administração da AULP decidiu galardoar a tese de Gisella de Amorim Serrano, intitulada “Caravelas de Papel: a Política Editorial do Acordo Cultural de 1941 e o Pan-Lusitanismo (1941-1949)”, de Belo Horizonte, da Universidade Federal de Minas Gerais.

“No ano de 1941, o Departamento de Imprensa e Propaganda do Brasil e o Secretariado de Propaganda Nacional de Portugal assinaram, no estado do Rio de janeiro, um Acordo Cultural. Esse Acordo constitui um dos desdobramentos da “Política do Atlântico”, organizada no interior da estratégia de propaganda e afirmação nacional do governo de Salazar, isto é, a partir de uma concepção política “panlusitanista”. Sob o imperativo do Acordo Cultural, foram planejadas e publicadas Revistas, livros e coleções. Esses impressos deram visibilidade ao projeto político luso-brasileiro firmado por essa ocasião. Neles, contam-se a participação de vários artistas e intelectuais tanto portugueses quanto brasileiros. Neste trabalho, procuramos compreender essa política editorial sob os mais diversos aspectos. Nosso interesse é revelar, por meio desses impressos, parte da dinâmica da relação Brasil-Portugal nos anos de 1940. Propomos, portanto, a análise de um importante recurso de divulgação e difusão do ideário panlusitanista que, ao fim e ao cabo, acabou por estabelecer bases significativas da aproximação entre os dois governos e entre os dois países”.

Video Prémio Fernão Mendes Pinto – Vencedora Gisella Serrano

Publicação da tese vencedora

A tese de doutoramento “Caravelas de Papel: a Política Editorial do Acordo Cultural de 1941 e o Pan-Lusitanismo (1941-1949)”, de Belo Horizonte, da Universidade Federal de Minas Gerais, de Gisella de Amorim Serrano, vencedora da 3ª edição do Prémio Fernão Mendes Pinto, foi editada pelo Camões, IP.

Defendi minha tese “Caravelas de papel- A política editorial do Acordo cultural luso brasileiro e o pan lusitanismo (1941-1949)” em 2009 na UFMG (Brasil). No ano seguinte ela foi a vencedora do prêmio Fernão Mendes Pinto (2010). 

Esse prêmio foi de suma importância para a ampliação do impacto da tese. Ampliou sua divulgação, assim como alargou os meus contatos, favorecendo outros intercâmbios acadêmicos. 

Posteriormente, a AULP, a CPLP e o Instituto Camões publicaram a tese. Nesse sentido, a difusão do conteúdo do meu trabalho tomou maiores proporções, considerando-se que ela foi noticiada e acessada em diferentes regiões do planeta, a partir dos países de Língua portuguesa. Recebi da AULP todo o apoio necessário para participar da cerimônia de entrega, que ocorreu numa gala, no Cassino Estoril, em fevereiro de 2012. Fui sempre atenciosamente recepcionada. Foi um evento memorável!

Considerando seus objetivos e os objetivos da produção acadêmica, é possível reiterar a dimensão de uma premiação como esta, sob a chancela de instituições tão ativas e respeitáveis. 

Foi uma grande honra e satisfação para mim, como pessoa e como profissional, participar e ganhar essa premiação. Espero que o prêmio continue a estimular e valorizar tantos outros profissionais ao redor do mundo!

MOBILIDADES AULP