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Reitor de Coimbra diz que é tempo de fazer fusões no Ensino Superior
O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, considera que "há universidades a mais" em Portugal e que o caminho passa pela fusão de cursos. Alerta ainda que, se os cortes no ensino superior se mantiverem para 2013, será muito difícil abrir a porta.
Em entrevista dada anteontem à noite ao programa "Ponto & Vírgula", da Rádio Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, afirmou que "a densidade de universidades por habitante em Portugal é bastante superior ao que se vê em praticamente toda a Europa", o que, prossegue, leva a que os recursos estejam espalhados. "o que deveria acontecer seria fusões, racionalização da oferta. É muito mais caro ter dois ou três cursos iguais espalhados do que um curso centralizado. Com a oferta, mais concentrada, seria possível ter infra-estruturas de melhor qualidade", aponta.
O reitor da Universidade de Coimbra abordou ainda a questão dos cortes no ensino superior, com a instituição que dirige a ter um decréscimo de cerca de sete milhões de euros para 2012, "Vamos distribuir a capacidade financeira pelas despesas essenciais para ter a porta aberta com dignidade. Noutros casos, vamos ter de recorrer a receitas adicionais, como projectos de investigação ou serviços prestados", defende.
Apesar de reconhecer que nenhum sector poderá ficar imune a cortes orçamentais, avisa que estes terão de ser feitos de outra forma para 2013, ou a instituição não terá capacidade de manter a porta aberta. "Esta solução, em que todos apanham por igual quer trabalhem bem quer não, quer tenham gerado défice quer não, quer façam uma boa ou má gestão, não funcionará, até porque é bastante desencorajadora."
Para João Gabriel Silva, os cortes dos últimos anos têm levado à impossibilidade de contratação de professores e funcionários, "o que faz com que haja uma geração, entre os 25 e os 35 anos, que não esteja nas universidades".
Contactado pelo JN, António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa e presidente do Conselho de Reitores (CRUP), preferiu não se pronunciar sobre a sujestão de João Gabriel Silva, alegando que actualmente as preocupações do CRUP se centram na proposta de Orçamento de Estado que prevê a perda de autonomia destas instituições.
No mesmo sentido veio a resposta de António Cunha, reitor da Universidade do Minho. "Não quero, de maneira nenhuma, comentar", disse.
Por seu lado, José Marques dos Santos, reitor da Universidade do Porto, considerou que é preciso "reorganizar" o ensino superior e que há "várias maneiras" de o fazer, sem que isso implique necessariamente a fusão de universidades.
Quanto ao corte nos subsídios dos funcionários pagos pelas receitas próprias das universidades, o responsável da UP adiantou que estes terão de ser feitos porque "não podem ser pagos às pessoas que trabalham nas entidades públicas". Porém alerta para o facto de que este montante deve continuar na posse dos estabelecimentos.
"A densidade de universidades por habitante em Portugal é bastante superior ao que se vê praticamente em toda a europa". João Gabriel Silva, Reitor da Universidade de Coimbra
Reitor do Porto Critica docentes que fazem pouco
O reitor da Universidade do Porto criticou ontem os professores da instituição que "se limitam a dar umas poucas aulas e mais nada".
"Ainda há muitos que o fazem, isto não pode acontecer", afirmou José Marques dos Santos, nas comemorações do centenário da Faculdade de Ciências. O reitor tinha acabado de apelar à mobilização da comunidade universitária para "trabalhar mais e melhor, evitando o desperdício", como forma de ajudar o país a sair da actual conjuntura e apontou o dedo também aos estudantes por "perderem tempo em festas demasiado prolongadas". lembrando que é a sociedade que paga a sua formação. Marques dos Santos direccionou ainda críticas aos governantes, deixando um pedido para que "não atrapalhem e "não criem burocracias irrelevantes".
Universidades e Politécnicos
O país tem 15 universidades, 15 politécnicos e cinco escolas não integradas. Um terço das universidades (5) está sediada em Lisboa. Seis das restantes estão localizadas nas regiões Norte e Centro. Quanto aos politécnicos há pelo menos um por distrito.
Vagas para 2011/2012
Para este ano lectivo foram abertas 54068 vagas, distribuídas por 1181 cursos. Houve um aumento de 82 vagas em relação a 2010.
Distribuição por áreas
A área de formação com mais vagas para o ano lectivo 2011/2012 foi a que engloba os cursos de Ciências Sociais, Comércio e Direito, que representa 28% da oferta, seguida da área de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção, com 23%. A área da Saúde e Serviço Social registou 15% das vagas.
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