AULP deve dialogar com CPLP na cimeira dos Chefes de Estado
Sapo Notícias
Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
MAPUTO, 22 JUN (AIM) - A Associação de Universidades da Língua Portuguesa (AULP) diz não possuir financiamento para garantir a mobilidade estudantil e de docentes, assim como para facilitar o sistema de transferência de créditos no espaço da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP). É assim que deverá dialogar com os chefes de Estado da Comunidade, na sua próxima cimeira, a ter lugar em Julho próximo, na capital moçambicana, Maputo.

Esta lamentação foi feita quinta-feira, em Maputo, pelo presidente da organização, Jorge Ferrão, numa conferência destinada a anunciar as conclusões do XXII encontro da AULP, encerrado na quarta-feira.

Entretanto, afirmou não possuir ainda uma estimativa de quanto é que eles precisam para o efeito.

Segundo Ferrão, ficou claro, durante as sessões, que a AULP precisa de um forte alinhamento à agenda política da CPLP de modo a garantir um apoio financeiro para implementação dos seus programas junto dos governos da comunidade.

"Para além de maior flexibilidade nas acções, precisamos de alinhamento à agenda política da CPLP. Chegamos à conclusão de que realmente necessitamos de financiamento. Perante a crise que se verifica em muitos países, devemos ser inovadores e procurarmos novas parcerias fora da CPLP para vencermos as dificuldades", disse Ferrão, citado hoje pelo "Diário de Moçambique".

Quanto à pós-graduação, mobilidade estudantil e de docentes, Ferrão disse que é preciso que as instituições do ensino superior da CPLP estabeleçam um sistema comum de acumulação e transferência de crédito.

"A transferência de créditos é um factor fundamental para a mobilidade estudantil e de docentes. Os esforços devem desenvolver novas qualificações ao longo da vida, dirigidas às universidades emergentes, evitando, assim, o crescente nível de desemprego nos países'', afirmou.

Decidiu-se ainda no encontro que a AULP deve estabelecer um instrumental de valores estratégicos para poder avançar e abrir-se ao resto do mundo, não se restringindo apenas no espaço da CPLP, aproveitando, desta maneira, as portas do Brasil, Portugal e Macau que têm maior contacto com outros países desenvolvidos.

"A AULP deve dialogar com a CPLP na próxima cimeira dos Chefes de Estado. Faremos os possíveis para demonstrar que o ensino superior no espaço da CPLP é importante e serve como fonte de desenvolvimento da comunidade", referiu Ferrão.

Por outro lado, o ministro moçambicano da Educação, Zeferino Martins, disse que face aos novos desafios da AULP, é importante redobrar esforços nas acções já iniciadas.

"Vamos continuar com as acções de creditação, qualidade das instituições, internacionalização do ensino superior, mobilidade académica, formação de pós-graduação para que as instituições estejam em pé de igualdade com outras, quer a nível da CPLP, como do resto do mundo", sustentou.

Por sua vez, Orlando Quilambo, reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), citou a internacionalização do ensino superior como uma forma para a sobrevivência da comunidade.

"No que se refere à pós-graduação, é evidente que temos que embarcar nela para corresponder às potencialidades económicas e de reserva em termo de recursos naturais que apresentamos. A internacionalização do ensino é uma questão de sobrevivência para a nossa comunidade", concluiu.

 
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