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Poderia chamar-se o Erasmus da Lusofonia, porque, afinal, é disso que se trata. A Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP) é uma das dinamizadoras de um projeto que possibilitará a mais de 120 alunos e professores de universidades de língua portuguesa, a realização de intercâmbios. Jorge Ferrão, presidente da AULP, garante que está dado o primeiro passo para a construção de um Erasmus da Lusofonia. A AULP e a Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), do Brasil, já assinaram o primeiro Memorando de Entendimento em Ensino Superior, Ciência e Pesquisa. Outros se poderão seguir, com outros países, numa missão que para Jorge Ferrão tem por objetivo "iniciar verdadeiramente um programa de mobilidade e partilha de conhecimento entre as universidades lusófonas".
A CAPES é a primeira agência financiadora deste projeto e contribuiu já com 1,5 milhões de euros que viabilizarão o primeiro ano desta operação. Segundo o presidente da AULP, "o montante permitirá crobrir os custos com passagens áereas, vistos, estadias e as universidades aderentes comparticiparão outros custos, como materiais". O responsável estima que seja possível apoiar nesta fase, o intercâmbio de, pelo menos, 120 pessoas que deverão ser mais discentes do que docentes.
Intercâmbios de curta duração Quatro a cinco semanas é quanto deverá durar cada intercâmbio. Os interessados em participar neste projeto deverão formalizar a sua candidatura junto da AULP que confessa que priveligiará os alunos dos segundos e terceiros anos de licenciatura. "Vamos dar prioridade aos alunos que ainda não iniciaram os seus trabalhos de final de curso e que a partir dessas trocas de experiência possam beneficiar da deslocação e do contacto com outros estudantes", revela Jorge Ferrão. O presidente da AULP é também reitor da universidade de Lúrio, em Moçambique, e estima que os estudantes africanos prefiram fazer intercâmbios nas áreas das ciências naturais e os portugueses e brasileiros optem mais pelas ciências sociais. "Os alunos africanos querem claramente aprofundar os seus conhecimentos sobre o continente africano, enquanto os europeus procuram laboratórios de referência, que muitas vezes não temos nos nossos países", explica o presidente que diz acreditar num equílibrio entre a adesão de estudantes africanos e os restantes. As primeiras fundações deste projeto lusófono já estão em marcha e com o financiamento para o primeiro ano garantido, as universidades parceiras do projeto preparam agora editais até abril. Jorge Ferrão espera que 60 dias depois existam condições para iniciar formalmente os intercâmbios.
Fundada em 1986, a AULP reúne mais de 150 universidades públicas e privadas e institutos politécnicos, nos oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e em Macau.
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