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Um transmontano para reforçar o superior

Um transmontano para reforçar o superior
Fonte: 
Público, Portugal, 2018-10-16

Depois da remodelação-relâmpago do fim-de-semana, as mexidas no Governo já não deviam apanhar ninguém desprevenido. Foi, contudo, com surpresa que o ensino superior recebeu a notícia da nomeação de um novo secretário de Estado, o ex-presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), João Sobrinho Teixeira. O ministro Manuel Heitor escolhe alguém que conhece o sistema de ensino superior para revitalizar a sua relação com as instituições públicas na fase final do mandato.

Maria Fernanda Rollo, que agora cessa funções, “fez um trabalho excelente”, elogia o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Pedro Dominguinhos, e poucos esperavam a sua saída. No entanto, Manuel Heitor quis inverter a lógica da arrumação política do seu ministério para a última fase do mandato. Saiu uma secretária de Estado com pouca relação com as instituições de ensino superior e cuja principal fatia do trabalho passava sobretudo pela Ciência, e entra Sobrinho Teixeira, ex-presidente do CCISP, membro da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior e, até Julho, presidente do IPB. Passará a ser o ministro a concentrar-se na Ciência.

No ensino superior, Heitor começou o mandato com a empatia dos reitores e dos presidentes dos politécnicos, mas esse estado de graça foi-se desvanecendo. O mal-estar tornou-se particularmente evidente nos últimos meses e teve como principal intérprete o reitor da Universidade de Lisboa, António Cruz Serra, que não lhe tem poupado críticas públicas. O ministro optou por passar a contar com a proximidade de um homem que ainda há três meses presidia um politécnico e tem relações próximas com muitos dos presidentes e reitores.

A escolha de Sobrinho Teixeira tem também significado político. Foi presidente de um instituto politécnico, um sub-sector do ensino superior quase sempre visto como parente pobre, e chega do interior. Transmontano de origem, fez quase toda a sua carreira no Instituto Politécnico de Bragança, que dirigiu durante oito anos, até ao passado mês de Julho.

Durante o seu mandato, transformou uma das instituições de ensino mais afastadas dos grandes centros urbanos num caso de sucesso, passando a marcar presença em rankings internacionais — foi considerado o 50.º melhor do mundo na área de Ciência e Tecnologia Alimentar pelo ranking de Xangai – por via da aposta na investigação.