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DECivil desenvolve ferramenta para gerir os problemas da erosão costeira

Os investigadores Márcia Lima, Carlos Coelho e Pedro Narra
Fonte: 
Universidade de Aveiro, Portugal, 2017-02-08

Como será o futuro das nossas praias? Como devemos intervir para proteger as zonas litorais? Até que ponto é eficaz a gestão costeira em Portugal? Estas são algumas das questões que surgem após os eventos de temporal recorrentes na nossa costa (como os verificados nos últimos dias) e que, nos últimos anos, motivaram uma equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da Universidade de Aveiro (UA) a desenvolver ferramentas que auxiliem a gestão costeira e contribuam para a sua eficácia.

“A tempestade que assolou Portugal nos últimos dias é o mais recente exemplo do potencial destrutivo do mar e do perigo que representa para as zonas costeiras”, lembra Carlos Coelho, investigador do DECivil e responsável pelo desenvolvimento da ferramenta Coastal Management Solutions (COMASO). A crescente pressão urbana nas zonas litorais e o continuado recuo da posição da linha de costa, diz o investigador, “permite antecipar cada vez mais frequentes alertas de perigo durante eventos de temporal e a necessidade de investimentos importantes para manter ou assegurar a proteção de pessoas e bens nas zonas costeiras”.

Assim, a COMASO pretende antecipar as zonas costeiras com maiores problemas, permitindo projetar diferentes cenários de evolução da posição da linha de costa e realizar um dimensionamento adequado das soluções de gestão e planeamento costeiro. Esta ferramenta, que deverá estar completamente operacional dentro de cerca de dois anos, resulta do trabalho coordenado por Carlos Coelho, com a participação do Pedro Narra e da Márcia Lima, mas também do André Guimarães, Bárbara Marinho e Carla Pereira, do DECivil e da respectiva unidade de investigação RISCO, e beneficia ainda da colaboração com os departamentos de Ambiente e Ordenamento, Geociências e Física da UA e diferentes instituições nacionais e internacionais, ao longo de mais de 15 anos.

A ideia que baseia o desenvolvimento da ferramenta, aponta Carlos Coelho, corresponde a dar resposta a três fases principais de análise, no processo de gestão costeira: fácil identificação dos locais de maior risco de erosão costeira, permitindo hierarquizar prioridades no que concerne às necessidades de intervenção (módulo CERA); capacidade de projeção da posição da linha de costa para diferentes cenários de intervenção de defesa costeira (módulo LTC); dimensionamento de estruturas de defesa costeira a adotar na intervenção (módulo XD-Coast).

As soluções que resultem da análise com a ferramenta COMASO, devem permitir identificar os custos e benefícios que as medidas de mitigação do problema de erosão representam, em horizontes temporais de dezenas de anos, suportando as decisões futuras de engenheiros, gestores e planeadores do litoral.

Ao integrar os três módulos (CERA, LTC e XD-Coast), a ferramenta COMASO pretende ajudar as entidades que gerem o litoral (municípios ou agências nacionais) a identificar os locais de maior vulnerabilidade e risco, discutir os impactos de diferentes medidas de mitigação do problema de erosão e dimensionar a estrutura que se considere adequada para cada local. Em estudos de menor dimensão, cada um dos módulos pode também funcionar separadamente, em qualquer fase do planeamento e gestão do litoral.

O COMASO foi um dos participantes na Sea Call for Innovators. Esta iniciativa decorreu na UA, no passado dia 31 de janeiro, inserida no projeto NOE-Noroeste Empreendedor, dinamizado pela UA, em parceria com a Universidade do Porto e a Associação Universidade-Empresa para o Desenvolvimento (TecMinho), cofinanciado pelo FEDER, através do Compete 2020. Com uma proposta de Soluções para a Gestão Costeira, a equipa do DECivil foi premiada e irá beneficiar de apoio (consultoria) para a elaboração de estudos de patenteabilidade e/ou vigilância tecnológica da ferramenta.