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Primeiro curso de medicina em Cabo Verde

Primeiro curso de medicina em Cabo Verde
Fonte: 
Gabinete de Comunicação da AULP, Cabo Verde, 2016-03-11

O primeiro curso de medicina em Cabo Verde, lançado pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) no dia 7 de outubro de 2015, com o apoio da Universidade de Coimbra (UC), conta com 25 vagas - 20 exclusivas a estudantes cabo-verdianos e 5 para alunos da CPLP. Fernando Regateiro, catedrático de Medicina na Universidade de Coimbra, coordena o projeto.

“Não vamos preparar médicos só para Cabo Verde, vamos sim preparar profissionais que possam vir a exercer medicina em qualquer país”, garantiu Judite Nascimento, reitora da Uni-CV. O reitor da UC, João Gabriel Silva, sublinha que o objetivo é reconhecimento do diploma da Uni-CV em Portugal de forma a que os médicos formados em Cabo Verde possam aí trabalhar.

O Professor João Gabriel Silva disse ainda que a expectativa é criar um curso de medicina de “grande qualidade” e uma “referência” para toda a África Ocidental, quer em termos de ensino quer em termos de prestação de serviços médicos, atraindo rendimentos para o país.

Para o Governo de Cabo Verde, o lançamento do curso de Medicina representa “um passo importante” para o setor, para a “melhoria dos serviços de saúde prestados aos Cabo-verdianos, sendo um enorme passo para que o país possa, no futuro, a médio prazo, almejar a introduzir novas especialidades médicas com técnicos e médicos formados no país”, adianta o gabinete do primeiro-ministro José Maria Neves.

O Governo assinala ainda que a abertura do primeiro curso de medicina coloca o país “em posição de cumprir o projeto de se constituir como um importante polo de formação, de cuidados de saúde e de investigação científica” ao nível da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO). Para Fernando Regateiro, antigo presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), importa também que o novo mestrado da Uni-CV venha a “contribuir para a sustentabilidade da economia” de Cabo Verde, quanto a “produtividade, redução de evacuações, atração de estudantes e utentes estrangeiros”.

O primeiro ano do curso terá um corpo docente de 14 professores - 7 cabo-verdianos e 7 portugueses, que terão o salário pago pela UC, enquanto a Uni-CV arcará com um suplemento e despesas de deslocação e estadia dos docentes lusos.

O Mestrado Integrado em Medicina, com a duração de seis anos, está dividido em três fases. Nos dois primeiros anos decorre nas instalações da Uni-CV, na Cidade da Praia, onde professores da Universidade de Coimbra e da Uni-CV trabalharão em conjunto. No terceiro ano, os alunos irão para Coimbra fazer o ciclo clínico e, por último, regressarão a Cabo-Verde para fazer o internato em hospitais locais.

Um os objetivos deste projeto é formar futuros docentes para ministrar o curso de medicina no futuro, exigindo-se aos candidatos uma média de 17 valores. A Professora Judite Nascimento, reitora da Uni-CV indicou que a universidade está a negociar com o Governo a possibilidade de apoiar os estudantes, mas sublinhou que estes têm que suportar as despesas, pagando as propinas.

Testemunhos dos primeiros estudantes do curso de medicina:

“Sinto-me muito especial por ser a primeira edição, nós já entramos para a história da medicina de Cabo Verde e, com certeza, trabalharemos para que seja um sucesso para todo o país”, diz Vera Rodrigues, 19 anos, natural do concelho do Tarrafal de Santiago.

O curso de medicina em Cabo Verde possibilita que os estudantes se formem no seu país, perto dos familiares e amigos, reduzindo os custos na formação. “Fica mais fácil para os estudantes fazer medicina cá em vez de ir ao exterior. Aqui já estou perto dos familiares. Qualquer problema posso resolvê-lo aqui mesmo”, conta Helena Oliveira, 17 anos, natural da ilha de Santo Antão, com o ensino secundário na ilha do Fogo.

No final, alguns preferem trabalhar fora, enquanto outros preferem ficar e dar o ser contributo para desenvolver a área médica. Quando acabar o curso, Adélio, que entrou com uma média curricular de 18,44 e teve 17,21 no teste de acesso, disse que quer fazer a mesma especialidade do irmão (urologia) e que, se aparecer oportunidade, prefere ir trabalhar fora do país.