Caros leitores,
Chega às vossas mãos a segunda edição da Newsletter da AULP. Começaria por agradecer a todos pelos valiosos comentários à edição anterior. Igualmente, um voto de gratidão para aqueles que, de forma directa e indirecta, sugeriram propostas com o intuito de melhorar o design e os conteúdos programáticos. Afinal, este é um veículo que a todos serve, representa e unifica. O agradecimento se estende, analogamente, para todos os colaboradores pela disponibilidade e partilha de vivências e conhecimento.
Estamos, pois, convictos de que esta newsletter veio para ficar. O objectivo imediato será de abarcar mais conteúdos e dar a conhecer a realidade de cada um dos membros associados da AULP. Queremos, por intermédio deste instrumento, mostrar as instituições de ensino superior de Angola e Cabo Verde, do Brasil e Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe, de Macau, de Moçambique e Portugal, bem como os seus talentos, os cientistas e os projectos conjuntos já estabelecidos ou em vias de implementação.
O sítio da AULP e as redes sociais, sobretudo, continuam sendo, extensivamente, visitados por centenas de milhares de internautas. A AULP desperta cada vez mais o interesse de cientistas da América do Norte, da Austrália, Nova Zelândia e de vários países da Europa. Esse interesse aumenta particularmente e ainda mais agora, com a realização da XXIII Conferência Anual da Associação das Universidades de Língua Portuguesa, AULP, que decorre este ano sob o tema "Cooperação e desenvolvimento nos países de língua portuguesa: O papel das universidades", na cidade brasileira de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A temática desta conferência está, desde o primórdio, patente nos objectivos e ideias não só da AULP, mas sobretudo, na carta da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, que em Maio, celebrou mais uma vez a língua portuguesa e a cultura no seio dos seus países.
Com efeito, espera-se receber cerca de 500 convidados de diferentes universidades e de países de expressão portuguesa em Minas Gerais. A Conferência Anual da AULP já se converteu, sem dúvida, no maior evento que, ano após ano, envolve centenas de instituições de ensino superior. Porém, estamos cientes que não é e nunca será a grandeza do evento o que mais conta. Nos move o sentimento de aglutinar todas estas instituições para que elas participem no esforço continuado de gerar desenvolvimento e bem-estar, mesmo quando a situação económica se apresenta adversa. Pretendemos que se estabeleçam redes e parcerias duradoiras de cooperação com as IES num papel primordial. As IES precisam consolidar, continuamente, através destes encontros, os ganhos políticos, económicos, culturais e académicos, já vivenciados e testemunhados.
Os países da CPLP experimentam processos distintos, quer sob ponto de vista económico, quer em relação aos estágios das suas IES. Alguns países trilham ainda esforços para estabelecer instituições credíveis e fortes que permitam e facilitem a formação de capital humano internamente. Por outro lado, outros países enveredam por processos de massificação e criação de oportunidades de formação em diferentes níveis. Países como Brasil e Portugal, com sistemas de ensino superior consolidados, procuram seu espaço no processo de internacionalização e no ranking internacional das IES. Para uns ou para outros casos, os desafios continuam sendo basicamente o mesmo: Formar capital humano competente e apto para imprimir mudanças e liderança no processo produtivo e na geração de riqueza. Igualmente, cada uma das nossas IES terá de centralizar sua energia e habilidades no apoio às instituições congéneres, através de projectos de mobilidade, investigação e formação docente.
Esta complexidade e multiplicidade de acções fazem da AULP uma associação única e diversificada, com vastas oportunidades e com um potencial inigualável. Com maiores ou menores recursos envolvidos, testemunhamos a mobilidade discente e docente e a internacionalização das nossas IES, como o denominador comum e que merecem absoluto realce e destaque. Afinal, como espaço, a AULP se insere num mundo global e em constante mudança. Essas são as tendências actuais das quais jamais poderemos estar alheios.
As instituições membros da AULP, com o apoio de diversos parceiros, em particular a CAPES, almejam consolidar os passos já iniciados no âmbito da mobilidade e dos projectos estruturantes. Só com um profundo conhecimento de cada uma das nossas realidades, estaremos aptos a contribuir na melhoria do desempenho e na afirmação económica, política e cultural dos nossos países. Portanto, a mobilidade discente e docente será fundamental para a consolidação do desenvolvimento social, económico e humano que os nossos países almejam.
Para este XXIII Encontro da AULP, de Belo Horizonte, Minas Gerais, foi sugerida uma temática ampla, porém correlacionada. Assim, discutir-se-ão temas como processos de inclusão e avaliação do ensino superior, impacto académicos dos intercâmbios internacionais e suas formas de financiamento, montagem de projectos de pesquisa e pós-graduação conjuntos e finalmente, parcerias internacionais em projectos de extensão económica. Estes temas serão apresentados em diferentes sessões e mesas redondas, por reitores, investigadores, pesquisadores e outros Académicos.
Durante os três (3) dias de sessão a expectativa será de se criar um diálogo produtivo e consolidado sobre a promoção das novas formas de cooperação entre as diversas instituições de ensino superior, e a participação das IES nos modelos de desenvolvimento que se pretendem para os países e povos da CPLP. Esta será uma oportunidade para analisar e avaliar a interacção entre o conhecimento científico e a tecnologia, as empresas e grandes projectos económicos, o conhecimento tradicional e as outras formas de conhecimento, para que, juntas, propiciem a aproximação dos países e povos, no relançamento da paz, segurança alimentar, bem-estar social, desenvolvimento, prosperidade e um novo modelo de solidariedade.
A temática Segurança Alimentar, em particular, será destaque na revista que a AULP edita todos os anos. A CPLP dedicou o biénio 2012-2014 como o período em que todos os estados membros deveriam repensar suas estratégias em relação a segurança alimentar e nutricional. Esta agenda está em consonância com os objectivos do milénio. Na realidade, com apreensão, notamos que alguns dos países da CPLP ainda apresentam níveis alarmantes de má nutrição e de carências alimentares agudas. Por conseguinte, a AULP deverá auxiliar esta temática através de pesquisas e propostas de acção das políticas públicas. Assim, a revista sobre Segurança Alimentar constitui um elemento de referência para eventuais futuras políticas públicas nos países da CPLP, pois apresenta um quadro da realidade de cada um dos países pesquisados. Muito mais que um levantamento, esta revista tem o condão de apresentar alternativas e soluções.
Por último, aproveitaria para agradecer ao Brasil e ao povo brasileiro pela disponibilidade e acolhimento. Muito nos honra a hospitalidade da cidade de Belo Horizonte. A Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG, que aceitou, gentilmente, organizar a XXIII Conferência Anual da AULP, um agradecimento sem limites. A UFMG e Belo Horizonte engrandecem o sonho de construção de sociedades mais justas, equitativas e de progresso social. Todos nós, sem reservas, rendemos uma justa homenagem ao povo mineiro pela fraternidade e solidariedade.
Jorge Ferrão, Presidente da AULP



