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Novos Horizontes para a Língua Portuguesa

Fonte: 
AULP, 2013-06-04

Embaixador Eugénio Anacoreta Correia

Presidente do Conselho de Administração do Observatório da Língua Portuguesa

Imagem 68

Portugal vai acolher em finais de Outubro a II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial, cumprindo assim um compromisso assumido em Brasília durante a VI Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP que ali teve lugar a 31 de Março de 2010.  

Entre outras questões, a Conferência vai debater propostas visando uma mais destacada presença da nossa língua no panorama científico mundial.

Trata-se de uma matéria que tem tanto de atual como de relevante para uma desejada maior afirmação internacional do Português, uma vez que, como definiu Vítor Aguiar e Silva, “a importância, o prestígio, a força e a difusão de uma língua dependem da dimensão demográfica, do peso geoestratégico, do desenvolvimento económico e do dinamismo cultural, científico e tecnológico dos países que a falam e a escrevem”.

A generalização da ideia de que “o inglês é a língua da ciência” induz investigadores e centros de pesquisa a privilegiarem a comunicação dos sucessos das suas descobertas e progressos naquele idioma, em desfavor do seu próprio. Idêntica razão motiva número crescente de instituições de ensino superior, em todo o mundo, a lecionarem cursos e a acolherem provas de graduação também em inglês, no intuito de patentearem o carácter internacional do seu labor académico.

Este é, pois, um domínio onde é forçoso definir políticas inspiradoras de atuações concertadas que assegurem que o Português (que atualmente ocupa a 13ª posição mundial em número de citações, documentos editados ou na referência de publicações científicas) alcance um patamar de reconhecimento mais consentâneo com a efetiva importância do contributo que em domínios tão diversos como a medicina, a engenharia, a agricultura, etc., é dado pelos seus cidadãos na busca de saberes e competências que concorram para um futuro com melhores níveis de bem-estar.

Numerosos e diversificados indicadores estatísticos posicionam a Língua Portuguesa como uma das cinco mais faladas em todo o mundo, assegurando-lhe um potencial de crescimento que deverá acentuar o seu poder e influência até ao final deste século.

Três fatores principais convergem nessa promissora consideração: a demografia, a economia e a cultura.

Por um lado, as projeções demográficas estimam que em 2100 o número de falantes do Português se cifre em cerca de 350 milhões, ou seja, mais 100 milhões que presentemente. Esse aumento ocorrerá no Hemisfério Sul, onde a nossa língua, ultrapassando o inglês, já é hoje a mais utilizada.

Em segundo lugar, os países da CPLP verão aumentar significativamente o seu peso no comércio mundial, com positiva repercussão nas respetivas economias e Índices de Desenvolvimento Humano.

A importância do universo de Língua Portuguesa será significativamente potenciada pela exploração dos recursos marinhos (energia, produção de alimentos, turismo, etc.) resultante da previsível extensão das plataformas continentais para 300 milhas. Portugal terá o “maior mar” da Europa e o Atlântico contará com a presença de seis de Estados membros da CPLP.

As oportunidades de progresso económico, científico e tecnológico daí decorrente são muito auspiciosas. No domínio energético, por exemplo, a produção “offshore” de energia eólica somar-se-á à exploração de petróleo e gás de Angola e Brasil que, juntamente com Moçambique, representam metade das descobertas mundiais entre 2005 e 2012.

Finalmente, o fator cultural (entendido numa perspetiva alargada e abrangente) representará uma terceira razão de aumento da projeção da Língua Portuguesa.

A par da significativa atração suscitada por testemunhos históricos de matriz portuguesa classificados pela UNESCO como património material e imaterial da Humanidade, são crescentes as razões de evidência em outros domínios como a engenharia, a literatura, a medicina, a arquitetura, as artes plásticas, etc., onde personalidades originárias de países lusófonos frequentemente recebem as mais altas consagrações mundiais.  

Neste contexto, uma mais consistente e empenhada promoção e difusão da Língua Portuguesa no universo científico internacional concorrerá determinantemente para o reforço da importância do nosso idioma e para o seu mais significativo reconhecimento como língua estratégica de comunicação global.

O papel reservado à Universidade em tal desafio é incontornável, uma vez que é sua missão essencial, a investigação, a criação e difusão da cultura e a formação de profissionais habilitados a explorar as oportunidades abertas pelos avanços da ciência e da técnica.

Assume, por isso, a maior relevância o contributo da AULP e das instituições de ensino superior que a integram na II Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa no Sistema Mundial tanto na definição como na implementação de políticas e medidas que visem uma mais alargada e consistente afirmação da nossa língua.