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Base de dados de cheias para prevenir desastres

Fonte: 
Diário de Notícias, 2012-11-21

mapa cheiasO dia 26 de novembro de 1967 está gravado na memória do País. Em quatro horas, a região de Lisboa e Vale do Tejo foi fustigada por uma chuva intensa que despejou 110 mm de água em apenas cinco horas, causando as cheias mais mortíferas dos últimos 149 anos em Portugal, com 449 mortos oficiais, que poderão ter sido mais de 700 no balanço final.

Este é um dos episódios-chave estudados no âmbito do projeto Disaster, que identificou e catalogou todas as Inundações e deslizamentos de terras que, desde 1865, causaram vítimas mortais em Portugal Continental.

O resultado é uma base de dados com os perfis de risco para cada concelho do País, que estará disponível na internet até final do ano e que passará a ser um instrumento importante para ajudar a prevenir este tipo de tragédias no futuro.

Nos últimos dois anos, 25 investigadores das universidades de Lisboa, Coimbra e Porto, coordenados por José Luis Zêzere, do Instituto de Geografia e Ordenamento do território (IGOT), da Universidade de Lisboa, passaram a pente fino 145 344 exemplares de 16 jornais portugueses, incluindo o Diário de Notícias, desde o primeiro número (29 de dezembro de 1864), para chegar a um total de 1903 ocorrências com vítimas mortais. Daquelas, 1622 foram cheias e 281 deslizamentos de terra. As primeiras causaram, neste século e meio, 1071 mortos e 40 283 desalojados. Os segundos mataram 239 pessoas e deixaram sem teto outras 1561.

"Apesar de este tipo de desastres ocorrer regularmente em Portugal, esta informação não estava sistematizada", afirmou ao DN José Luis Zêzere. "Queríamos fazer o levantamento desta Informação para o século XX, utilizando as notícias dos jornais, mas como o Diário de Noticias, um dos pilares deste estudo, vinha mais de trás, alargamos a investigação sublinha José Luís Zêzere.

Nesta altura, a equipa tem o levantamento feito e a base de dados pronta a arrancar. Nos perfis de risco dos concelhos, verifica-se que, para as cheias, Sacavém, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Oeiras são os mais críticos na região de Lisboa. Mas como mostram os mapas, o Vale do Tejo e várias zonas do Porto e de Coimbra também são vulneráveis, sobretudo por "ocupação pouco saudável do território", como a construção urbana em leitos de cheia dos rios.

Estes dados preliminares serão apresentados no dia 26, em Cascais, no Auditório da Fundação Paula Rego, quando passam 45 anos das cheias de 1967.

grfico evoluo cheias