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Programa Impulso Jovem

A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) entrevistou Vitor Moura Pinheiro, Diretor-Executivo do Programa Impulso Jovem.

fotografia2AULP - Poderia explicar-nos o que é o Programa Impulso Jovem?

Vitor Moura Pinheiro - O Programa Impulso Jovem foi criado pelo Governo português para dar resposta à elevada taxa de desemprego entre os mais jovens. Numa realidade com uma taxa que ronda os 40% de desemprego entre os jovens de 18 a 30 anos, o programa vai auxiliar a empregabilidade. Essencialmente, faz esse apoio através de quatro caminhos: estágios profissionais, apoio à contratação, criação dos seus próprios negócios e apoio ao investimento empresarial. Todos esses caminhos auxiliam a empregabilidade dos jovens, que neste momento, são a geração mais qualificada de sempre.

AULP – De que forma o Programa pretende combater o desemprego? Quantas colocações já foram feitas até o momento?

VMP – O Programa vai além dos estágios. Tem cerca de 20 medidas ao todo e é muito abrangente. Além dos fundos comunitários, também temos fundos nacionais que, no total, se o Programa fosse aplicado na sua plenitude, são 932 milhões de euros, um valor bastante elevado para combater o desemprego jovem. Até agora temos cerca de 17 mil candidaturas em todas essas medidas e já temos mais de 10.000 jovens que já estão a ser beneficiados pelo Programa.

Daria uma nota exclusiva ao apoio à contratação que pretende diminuir os custos associados à contratação de jovens. Quando a empresa contrata, o Programa devolve a taxa social única à empresa. O Impulso Jovem só apoia empresas que contratem jovens e criem postos de trabalho. Pretende-se diferenciar o tipo de contratação. Isto é, se contratarem sem termo, têm devolvida integralmente a taxa única, mas se contratarem a termo, recebem apenas 75%. O que se verifica é que os jovens que têm beneficiado do programa, 40% estão contratados sem termo. Portanto, esse é um sinal positivo de que o mercado está a recrutar jovens, ao abrigo de uma medida social que implica a criação líquida de postos de trabalho.

AULP - A procura tem sido intensificada?

VMP – As medidas do Impulso Jovem não foram adotadas todas de uma só vez. Foram faseadas, tivemos que fazer um trabalho de adaptação. As primeiras medidas chegaram em agosto do ano passado. Outras foram desenvolvendo-se. O que achamos positivo é que este Programa está a ajudar de facto a empregabilidade, a criar uma cultura do exemplo, um efeito multiplicador do sucesso do mesmo. Também temos feito uma divulgação maior, criando notoriedade ao Programa. O número de visitas ao Portal tem aumentado significativamente.

AULP - O Instituto de Emprego e Formação Profissional orienta os jovens desempregados?

VMP – Quando o IEFP está a divulgar estas medidas está naturalmente a orientar os jovens que ainda não conseguiram entrar no mercado de trabalho. O IEFP pretende incentivar os jovens a terem um papel mais ativo na procura de emprego.

AULP - Existe alguma estratégia de divulgação do Programa no mercado empresarial?

VMP – Sim, nós divulgamos às entidades empregadoras, como as empresas, misericórdias e outras IPSS, as associações juvenis e desportivos, autarquias.

Muitas vezes as entidades empregadoras precisam das mais-valias dos jovens, mas não têm consciência dessa necessidade.

Refiro-me por exemplo às competências nas línguas ou mesmo nas novas tecnologias. Pode haver aqui de facto uma dinâmica em que o jovem possa trazer valor acrescentado e até uma mudança na entidade patronal.

AULP - Qual o balanço que faz das ações de empreendedorismo?

VMP – O balanço que se faz é muito positivo. A medida passaporte para o empreendedorismo que traz a partir de uma ação muito simples, que é preencher um formulário eletrónico, um apoio ao jovem que tenha uma ideia inovadora, com potencial de crescimento e que responda a uma necessidade de mercado. Os jovens podem registrar as suas ideias que se forem aprovadas recebem uma bolsa correspondem a 691,81 euros. Muitas vezes os jovens querem criar uma empresa e não possuem meios de subsistência, apoio e orientação. Depois, durante quatro meses, vão desenvolver a ideia, ou seja, o plano de negócios. Já vimos que a ideia tem potencial e então vamos para a fase do seu desenvolvimento prático. Se de facto, o negócio for aprovado, ele pode ter direito à segunda fase desta bolsa, por mais oito meses, com acesso a uma rede de mentores, assistência técnica e outros incentivos que os podem ajudar a desenvolver a sua ideia. Há projetos que foram aprovados com um dinamismo muito interessante, e vemos que temos aqui jovens com muito potencial e que estas ferramentas ajudam nessa ação.

AULP - Qual a taxa de empregabilidade do Programa após terminar o estágio?

VMP – A maior parte dos estágios não terminou ainda, ou seja, porque todos os estágios tem a duração de 12 meses e ainda não temos o balanço final. Neste momento, o IEFP fez um estudo recente sobre a empregabilidade dos jovens que tinham feito os seus estágios e verificou que 67,5% dos jovens, ao final dos três meses, ficaram empregados nas empresas, o que me parece uma taxa interessante, numa realidade em que a economia tem estado recessiva. Antes, essa taxa chegou a rondar os 80%, um estudo feito nos anos 2003/2004.

AULP - O que sugere aos jovens que estão em busca de emprego?

VMP – O que sugiro é que os jovens avaliem bem a sua estratégia de procura ativa de emprego. Hoje em dia, os empresários que conversamos falam muito sobre isso. Os jovens estão demasiadamente refugiados atrás dos ecrãs dos computadores e de facto, não aparecem nas empresas. As empresas dizem que gostam que os jovens apareçam nas empresas e digam qual a sua valia para o desempenho de determinada empresa. É importante que os jovens possam fazer uma abordagem melhor, informando-se antes sobre a empresa, quem é a pessoa responsável pelo sector de Recursos Humanos, o que a empresa faz e como ela se posiciona no mercado. Ter mais cuidados, com currículos diferenciados, que revelem de facto o seu potencial para a empresa. O jovem deve, em suma, apresentar a sua “proposta de valor acrescentado à empresa” e, neste contexto, poder utilizar as ferramentas de apoio à empregabilidade – como o Impulso jovem - para esse fim.

Deve-se primeiro informar, selecionar um leque de empresas e agir desta forma, numa estratégia de espaço e de tempo. Isto implica quase que elaborar uma estratégia de ataque ao desemprego. É importante que os jovens possam fazer uma abordagem adequada à empresa. É importante que, depois de conseguir o estágio ou o emprego, ter uma atitude empreendedora todos os dias, fazer mais que o necessário, fazer o melhor, apresentar propostas e soluções aos problemas enfrentados pelas empresas, aos empresários. É assim que as economias crescem. O Programa pode ajudar a quebrar alguns mitos e estigmas que existem no mercado.

O jovem estagiário, por exemplo, deve pensar no seu valor, na sua missão dentro da empresa, numa ação empreendedora todos os dias, quebrando o estigma do estagiário como alguém que está a aprender, que tem pouco ou nenhum valor e que tem pouco potencial, mostrando às empresas que o estágio pode ter um resultado completamente diferente do que se sabe hoje, e mostrar mais-valia para os dois lados.